Saúde e Bem-Estar
  • Dia Nacional de Combate à Hipertensão: as novidades no controle da doença


    Dia 26 de abril é o Dia Nacional de Combate à Hipertensão. A data é importante até porque, no Brasil, infelizmente, o controle da doença é muito baixo por parte dos pacientes, abaixo de 10%. De acordo com o Dr. Rui Póvoa, Professor de Cardiologia da Unifesp e chefe da Cardiopatia Hipertensiva da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), é preciso aproveitar a ocasião para alertar os portadores do problema e a população em geral para a necessidade de acompanhamento, uma vez que a hipertensão é o principal fator de risco de eventos cardiocerebrovasculares de efeitos devastadores, como infartos, AVCs e lesões renais.  Ele lembra que os problemas cardiovasculares são a primeira causa de morte no Brasil, chegando a 300 mil por ano. Existem atualmente cerca de mais de 40 milhões de hipertensos no país, segundo dados do Ministério da Saúde, um número que tende a crescer em razão de fatores como cigarro, sedentarismo, álcool, obesidade e má alimentação. O problema, segundo o médico, é agravado pelo fato de que se trata de uma doença absolutamente assintomática, ou seja, o paciente não sente nada. “Se as pessoas se tratarem desde cedo, fazendo um controle regular da pressão arterial, estarão formando uma ‘poupança’ para o futuro e correrão muito menos riscos”. Dr. Rui Póvoa fará palestras aos médicos especialistas no estande da Torrent, durante o XXXVI Congresso da SOCESP (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo), que será realizado de 26 à 28 de maio, em São Paulo.

    Atualmente, explica o especialista, quem tem pressão arterial acima de 14 por 9 é considerado hipertenso. Durante a história do tratamento da hipertensão arterial esses valores passaram por muitas variações e hoje sabe-se que é importante reduzi-los ainda mais. Entretanto, não havia nenhum trabalho na literatura que corroborasse isso. “Sabemos que é importante baixar esses níveis, mas quanto? Afinal, reduzir muito a pressão do indivíduo também pode trazer problemas, como ficou comprovado no caso dos portadores de doenças coronárias ou diabéticos”.

    Agora, um estudo patrocinado pelo governo norte-americano e apresentado em novembro do ano passado em Orlando, no Congresso do American Heart Association, denominado Sprint, trouxe valiosa contribuição para a questão.  Ele foi feito com mais de 9 mil pacientes hipertensos, divididos em dois grupos, um deles com pressão sistólica abaixo de 140 e outro abaixo de 120 (não foi considerada a pressão diastólica). Verificou-se que, em 3 anos, o grupo que havia reduzido a pressão abaixo de 120 registrou 20% menos de eventos cardiovasculares. Assim, a recomendação depois da publicação do Sprint é que deve levar-se, por meio de medicamentos se necessário, a pressão sistólica abaixo de 120 nos pacientes não diabéticos. “Claro que ainda existe muita discussão em torno do estudo, como sempre acontece.  Mas o seu grande trunfo é ter sido patrocinado pelo governo dos EUA, de forma muito séria e correta, e por conta disso está sendo muito valorizado pela categoria médica”, ressalta o Dr. Póvoa.

    Resultados efetivos – Há várias classes de drogas para tratar a hipertensão arterial. “Todos esses fármacos são muito importantes, efetivos e têm poucos efeitos colaterais adversos”, ressalta o Dr. Póvoa.  O que acontece é que determinados grupos respondem melhor a alguns anti-hipertensivos do que a outros. Assim, conforme o caso, os médicos recomendam fármacos diferentes. “Os afrodescendentes, por exemplo, não respondem muito bem aos bloqueadores do sistema renina-angiotensina, mas têm bons resultados com os diuréticos ou antagonistas dos canais de cálcio”.

    Um dos medicamentos que vem sendo muito utilizado atualmente é o Nebivolol, um betabloqueador extremamente moderno, com várias propriedades especiais, principalmente de liberação de óxido nítrico. Os betabloqueadores antigos, como o Propanolol e o Atenolol não tinham efeito tão bom em reduzir a mortalidade e o acidente vascular cerebral. Já os betabloqueadores mais modernos, como Nebivolol, por exemplo, apresentam desempenho bem mais expressivos no tratamento da pressão arterial. Também os diuréticos são extremamente importantes no tratamento da hipertensão arterial, mas tem maior risco de causar distúrbio metabólico, principalmente com relação à glicemia e lipídios. Entretanto existem exceções como a Indapamida, por exemplo, que tem riscos mínimos de alteração metabólica, sendo muito bem indicado para o paciente obeso, com tendência a ter resistência à insulina aumentada ou dislipidemia.

    Pressão sistólica e diastólica – Mas afinal, o que é pressão sistólica ou diastólica? O Dr. Póvoa explica que para o sangue percorrer as artérias, é necessária uma força que o impulsione. Essa força, gerada pela contração do coração, provoca uma pressão nas artérias, sendo o que chamamos pressão arterial sistólica. Esse sangue que está percorrendo as artérias sofre uma determinada resistência por parte delas e é essa resistência que denominados pressão arterial diastólica.

    De modo geral, resume o Dr. Póvoa, o importante é entender que as metas estão mudando e o Sprint mostra que para o paciente não diabético os valores devem ficar abaixo de 120 para a pressão sistólica. “Essa é a grande evidencia do estudo, talvez o melhor sobre hipertensão arterial até o momento”, completa. Na diretriz brasileira que deve ser finalizada este ano, acredita o médico, as ideias do Sprint deverão ser incorporadas, balizando as metas de tratamento da hipertensão arterial.

    Para ele, o Dia Nacional da Hipertensão deve ser visto como uma oportunidade de conscientização da importância do controle da pressão arterial. Afinal, de acordo com dados da OMS- Organização Mundial da Saúde, nada menos do que 420 mil pessoas morrem por ano em consequência de AVC (acidente vascular cerebral) e os males cardiovasculares são responsáveis por 1,2 milhão de mortes por ano no País.”

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